sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Down



Há dias que venho percebendo a tristeza de alguém. Geralmente, quando isso acontece, eu acabo ficando triste também. Ela é uma pessoa de astral lá em cima. Parece até que está ligada o tempo inteiro na tomada.

Para mim, é muito difícil aceitar esse tipo de situação. É que eu não consigo acreditar que uma pessoa tão elétrica tenha momentos de angústia. Já até pensei em fazer algum tipo de brincadeira com ela, achando que tudo não passa de uma grande piada. Mas o melhor é respeitar e não interferir.

Foram pequenos gestos que me levaram a perceber que ela não está nos seus melhores dias. O ser humano é assim. Ele vai deixando pistas pelo caminho. E bem dizia aquela célebre frase que eu li num encarte do disco Extrãno do Nenhum de nós: a arte deve ser  como um espelho que nos revela a nossa própria face. 

Como eu não tenho o mínimo talento para animar quem quer que seja, eu prefiro não me meter nessa história. No momento, a meu ver,  ela não quer solução para nada. O que ela mais quer é ser compreendida. E eu bem sei porque ela está assim, meio down. Mas, para não passar em branco, se eu pudesse, daria um abraço bem forte nela. Só um? Por que não, vários: 2, 3, 4, ... até  essa tristeza se dissipar de vez? Eu sempre fui perdulário mesmo.

Com essa situação, eu cheguei à seguinte conclusão: toda tristeza tem data de validade preestabelecida e tudo se transforma num piscar de olhos. Está vendo? Já passou.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O fim do mundo



 
cabelinho cortado pela minha grande amiga Paula Dias


Ainda agora, eu estava lendo Miguel Falabella. Suas crônicas tem um tom todo introspectivo, por isso é que eu me deleito tanto nelas. Mas não era sobre isso que eu queria escrever. O que eu quero mesmo é falar sobre os meus cortes de cabelo. Eu só toquei nesse assunto porque esse final de tarde me convidou para tirar uma pausa para leitura, esse prazer que tanto me agrada.

Como de costume, uma vez por mês, eu corto o meu cabelo. Não sei ao certo, mas devo ter cortado por pelo menos uns 7 anos com a mesma pessoa. Conversávamos bastante, mas não chegamos a criar nenhum vínculo de amizade (pelo menos de minha parte), até que, por motivo de força maior, ela teve que mudar de endereço, fato que me obrigou a procurar um outro salão de beleza. 

Confesso que não foi nada fácil achar alguém em meio a tantos salões por aí. Cheguei a cortar o cabelo com duas moças, mas não fiquei satisfeito.  Felizmente, depois de várias peregrinações,  não só encontrei um salão bastante aconchegante como também uma ótima profissional. Posso até dizer que ela não é nem minha cabeleireira, mas, sim, uma amiga. E, com certeza, teremos vida longa nessa relação de amigo-cliente.

Dessa última vez que eu estive com ela, a conversa caiu para um lado um tanto filosófico. É que com essa história de “fim do mundo”, segundo a profecia da civilização Maia, não tinha como não fugir do assunto. Ela me perguntou o que eu faria se realmente soubesse que o mundo iria acabar. Eu disse que não sabia, pois não era nada apegado ao futuro, ou seja, simplesmente continuaria vivendo normalmente. Mas, depois, pensando bem, acabei dizendo que, no máximo, eu iria procurar os meus amigos e familiares mais queridos, para me despedir.
Paula dias, minha personal hair

Terminado o corte e essa conversa  escatológica, eu saí de lá me sentindo um modelito pré-fabricado pela novela "Malhação", de tão bonito. E fiz sucesso, pois até quem eu não imaginava curtiu a minha foto, de visual novo, quando a coloquei na rede social. E com direito a  "Hummmmmm"!!!

Enquanto eu estava lendo as crônicas do Miguel, acabei reconsiderando aquele pensamento fraternal. Se me fosse permitido, o que eu faria era viajar a bordo de um belo Cruzeiro, rodeado por mulheres me paparicando. E o mundo lá fora que se acabe.